Localizada em um condomínio na região de Sauípe, no litoral baiano, a Casa AJ foi concebida para um casal que desejava uma residência de praia ampla, confortável e preparada para receber familiares e amigos. Mais do que uma casa para os momentos de descanso, o projeto foi pensado para favorecer a convivência, criando ambientes integrados, generosos e conectados à natureza.
A implantação da residência organiza os espaços em uma planta com formato semelhante à letra “J”, formando um pátio interno onde a piscina, a área gourmet e o paisagismo passam a compor um único ambiente. Essa configuração amplia a privacidade da área de lazer, favorece a circulação dos ventos predominantes e contribui para a criação de um microclima mais agradável, característica importante para uma residência localizada no litoral baiano.
O principal ambiente social reúne sala de estar, TV e jantar em um espaço com pé-direito duplo, enquanto a cozinha permanece integrada em uma escala mais acolhedora. Grandes esquadrias voltadas para o norte permitem a entrada de iluminação natural difusa durante praticamente todo o dia, reduzindo a incidência direta do sol sobre a fachada principal e proporcionando ambientes claros, agradáveis e termicamente mais confortáveis.
Os dois dormitórios destinados aos hóspedes foram organizados em sistema demi-suíte para acomodar familiares com conforto. Já a suíte master ocupa o pavimento superior, acompanhada de um amplo terraço voltado para momentos de descanso e contemplação. A residência ainda conta com uma edícula em estilo loft, composta por sala, cozinha, dormitório, banheiro e varanda, oferecendo independência aos visitantes.
Conforto ambiental pensado desde o primeiro traço
Grande parte do conforto de uma residência não depende de equipamentos de climatização, mas das decisões tomadas ainda durante o desenvolvimento do projeto.
Na Casa AJ, os dormitórios foram posicionados voltados para o nascente, recebendo a luz suave das primeiras horas da manhã e evitando a intensa carga térmica provocada pelo sol da tarde. Essa escolha proporciona ambientes mais agradáveis ao longo do dia e reduz a necessidade de resfriamento artificial.
Na área social, o pé-direito duplo também exerce uma função ambiental. Nas paredes superiores foram instaladas venezianas fixas que favorecem a exaustão do ar quente acumulado na parte mais alta da edificação. Em conjunto com as grandes esquadrias e com a ventilação cruzada, essa solução melhora a circulação natural do ar e aumenta significativamente o conforto térmico dos ambientes.
Toda a residência foi coberta com telhas termoacústicas, reduzindo a transferência de calor proveniente da cobertura, uma das principais responsáveis pelo aquecimento das edificações em regiões de clima tropical. São soluções discretas, muitas vezes imperceptíveis para quem observa apenas a estética da casa, mas que fazem diferença diariamente para quem irá habitá-la.
Sustentabilidade também significa escolher a solução mais adequada
A Casa AJ foi desenvolvida utilizando o sistema construtivo em tijolo ecológico, que reúne estrutura e vedação em um único elemento, reduz desperdícios durante a execução da obra e proporciona excelente desempenho térmico.
Entretanto, construir de forma sustentável não significa utilizar um único sistema construtivo em toda a residência.
Os clientes desejavam grandes esquadrias conectando completamente os ambientes internos à área externa. Nessas situações, o tijolo ecológico possui limites estruturais para vencer grandes vãos. A partir de determinadas dimensões, insistir na execução de vigas utilizando o próprio sistema deixa de ser a alternativa mais racional, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico.
Por esse motivo, optou-se pela utilização pontual de pilares e vigas em concreto armado apenas nas regiões onde as grandes aberturas eram necessárias. Todas as demais paredes permanecem estruturadas pelo próprio sistema em tijolo ecológico.
Essa decisão representa exatamente a filosofia adotada pelo escritório: sustentabilidade não significa utilizar sempre o mesmo material, mas compreender qual solução apresenta melhor desempenho em cada situação, reduzindo desperdícios, racionalizando recursos e tornando a construção mais eficiente.
A linguagem arquitetônica também respeita a identidade dos moradores. Embora o tijolo ecológico permita deixar a alvenaria aparente, essa não era a estética desejada para a residência. As paredes receberam acabamento com massa corrida aplicada diretamente sobre a alvenaria e pintura branca, enquanto alguns planos foram revestidos com pedra moledo, demonstrando que uma construção sustentável não precisa seguir uma estética específica para cumprir seu papel.
Paisagismo como parte da arquitetura
Na Casa AJ, o paisagismo não foi pensado apenas para compor a estética da residência, mas para participar do conforto ambiental. O terreno já possui muitas árvores, da vegetação natural, e que em sua grande parte será mantida proporcionando sombreamento e menor desmatamento.
O pátio interno recebeu espécies tropicais, que naturalmente exigem menos manutenção, como helicônia, helicônia bihai, guaimbê, costela-de-adão, orelha-de-elefante, cordyline, capim-limão e diferentes palmeiras, criando uma composição que combina diferentes texturas, alturas e tonalidades de verde.
Entre elas, a palmeira laca-vermelha assume papel de destaque, criando um ponto focal através do contraste produzido pelo seu estipe avermelhado.
Além da composição visual, toda essa vegetação contribui para a formação do microclima da residência, aumentando a umidade do ar e fortalecendo a relação entre arquitetura e natureza.
O percurso entre a garagem e os ambientes sociais acontece sob um pergolado, responsável por filtrar a luz natural e conduzir o visitante até o interior da residência de maneira gradual, reforçando essa integração desde o primeiro contato com a casa.
A Casa AJ demonstra que arquitetura sustentável não depende de uma estética específica nem de soluções padronizadas.
Ela nasce da compreensão do clima, do lugar, da forma como os moradores vivem e da escolha consciente das tecnologias construtivas. Em alguns momentos, a melhor resposta foi o tijolo ecológico. Em outros, o concreto armado tornou possível vencer grandes vãos de forma mais eficiente. Em outros ainda, foram a orientação solar, a ventilação cruzada, as venezianas superiores, a cobertura termoacústica e o paisagismo que passaram a desempenhar papel fundamental. O resultado é uma residência onde conforto, técnica e identidade caminham juntos, permitindo que cada decisão contribua para uma arquitetura mais inteligente e preparada para o cotidiano de quem irá habitá-la.













































Edícula








