




























Localizada em Salinas das Margaridas – BA, no Recôncavo Baiano, na foz do Rio Paraguaçu — região também conhecida como Barra do Paraguaçu e integrada à Baía de Todos os Santos, a Casa Salinas é resultado de um retrofit completo com ampliação. Diferente das cidades diretamente voltadas ao Oceano Atlântico, o contexto climático local exige soluções específicas de ventilação e controle térmico. A residência original apresentava sérios problemas estruturais, ausência de ventilação cruzada e cobertura em zinco, que intensificava o calor interno.
A proposta reorganizou completamente a lógica espacial da casa, criando um eixo central de conexão a partir da sala de jantar e melhorando a fluidez entre ambientes. A cozinha permanece setorizada, mas integrada visualmente por meio de bancada e ampla passagem. Um fosso de iluminação e exaustão foi implantado entre o banheiro social e a cozinha, favorecendo conforto ambiental passivo. A casa foi afastada do muro lateral para permitir ventilação cruzada e entrada de luz natural, área onde também foi posicionada a lavanderia. Nos fundos, uma parede em cobogó contribui para iluminação e circulação de ar. O pavimento superior, inserido na ampliação, abriga duas suítes e uma sala íntima multifuncional que funciona como varanda aberta, com mureta e cobogó, potencializando ainda mais a ventilação.
Do ponto de vista construtivo, a obra está sendo executada com tijolo cerâmico convencional, escolha determinada pela viabilidade logística e econômica da região. O transporte de materiais alternativos tornaria o projeto financeiramente inviável, além de aumentar a emissão de CO₂ pelo deslocamento. Ainda assim, o projeto incorpora cobertura termoacústica para melhorar o desempenho térmico da edificação e reduzir o ganho de calor interno. Na área frontal, sob a antiga mangueira, foi criada uma varanda de convivência com bancada e redário, enquanto a horta lateral reforça o vínculo da família com o espaço. A Casa Salinas demonstra que arquitetura sustentável também significa tomar decisões conscientes, equilibrando desempenho ambiental, contexto regional e realidade econômica.



